Marco Florentino
Em prosa e verso
Textos
ATÉ AMANHÃ LUA
ATÉ AMANHÃ LUA

Hoje, excepcionalmente em plena quarta feira, tive a oportunidade de ver o pôr do sol e o pôr da lua crescente no final da tarde, coisa rara em decorrência dos meus compromissos laborais.

Enquanto a lua se punha, exclamei uma frase: até amanhã lua. Pensei de imediato em David Hume, filósofo britânico que influenciou Immanuel Kant.

Mas também de imediato, lembrei do poeta persa/iraniano Omar Khayyam, nos seus poemas Rubaiyat: Talvez amanhã a lua me procure em vão.

A seguir, seu poema:

Busca a felicidade agora, não sabes de amanhã.
Apanha um grande copo cheio de vinho,
senta-te ao luar, e pensa:
Talvez amanhã a lua me procure em vão.

Não vamos falar agora, dá-me vinho. Nesta noite
a tua boca é a mais linda rosa, e me basta.
Dá-me vinho, e que seja vermelho como os teus lábios;
o meu remorso será leve como os teus cabelos.

Não me lembro do dia em que nasci;
não sei em que dia morrerei.
Vem, minha doce amiga, vamos beber deste copo
e esquecer a nossa incurável ignorância.

Há tanto tempo giram os astros no espaço;
há tanto tempo se revezam os dias e as noites.
Anda de leve na terra, talvez aonde vais pisar
ainda estejam os olhos meigos de um adolescente.

Se em teu coração cultivaste a rosa do amor,
quer tenhas procurado ouvir a voz de Deus,
ou esgotado a taça do prazer,
a tua vida não foi em vão.

Quando eu não mais viver, não haverá mais rosas,
nem lábios vermelhos, nem vinhos perfumados;
não haverá auroras, nem amores, nem penas:
o Universo terá acabado, pois ele é o meu pensamento.

Omar Khayyam

Vida eterna ao povo persa. Força Irã. O sacrifício do seu povo, das suas crianças assassinadas pelo império maldito estadunidense de satanás e pelo povo sionista de Israel, não será em vão.

É necessário lembrar o maior de todos os pensadores da humanidade... Baruch Spinoza: não existe povo escolhido e predileto de Deus, pois Deus é tudo, Deus é natureza, Deus é o universo.

A imanência de Deus está em tudo e em todos. A humanidade tem que, de uma vez por todas, deixar de temer a Deus e viver sua autenticidade humana, com erros, acertos, pecados e virtudes, inerentes à condição do homem pelo homem.

Por que tanta dificuldade para  viver individual e coletivo em harmonia?

No alto dos meus 66 anos de existência, cheguei à conclusão que não há saída digna para o homem. A humanidade está fadada ao desastre subjetivo e coletivo. Sentimentos racionais de egoísmo, inveja, soberba e falsidade se impõe sobre os de humildade, fraternidade, caridade, e verdade.

¨Que a natureza tenha piedade da humanidade¨.

Marco Antônio Abreu Florentino






Marco Florentino
Enviado por Marco Florentino em 21/05/2026
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