Marco Florentino
Em prosa e verso
Textos
FREI BETTO E A DITADURA MILITAR DE 1964
FREI BETTO E A DITADURA MILITAR DE 1964

Mais uma entrevista que todo brasileiro humanista e progressista precisa ver.

O golpe militar de 1964 que instituiu 21 anos de ditadura no Brasil, é sabidamente conhecido, pelo menos pela grande maioria dos brasileiros que não sejam alienado e tenha um mínimo de leitura e cultura.

O que essa maioria de brasileiros não sabem, incluindo meus contemporâneos de idade que viveram esse período, são os detalhes das atrocidades proporcionadas pelos monstros torturadores, que exerciam tal atividade com um sádico prazer psicopatológico de verem seus semelhantes opositores sofrerem.

Autênticas bestas em forma de gente, sentiam um prazer quase que sexual ao verem pessoas, cujo único crime foi discordar ideologicamente de suas convicções, sofrerem humilhações, dores e medos inomináveis decorrentes de torturas a saber:

Pau de Arara -   método de tortura física destinada a causar fortes dores nas articulações e músculos, bem como dores de cabeça e traumas psicológicos.
O  Pau de Arara consiste em uma barra de ferro na qual o prisioneiro é pendurado e enrolado, de forma que a vara fique bloqueada entre a concha dos braços e a concha das pernas. Em seguida, os tornozelos são amarrados com os pulsos. A pessoa torturada é pendurada cerca de um metro acima do solo e fica nessa posição até que o sangue não circule mais, o corpo inche e pare de respirar.

Cadeira do Dragão - Espécie de cadeira elétrica, com assento, apoio de braços e espaldar de metal onde um indivíduo era colocado e amarrado aos pulsos por cintas de couro. Eram amarrados fios em suas orelhas, língua, em seus órgãos genitais (enfiado na uretra), dedos dos pés e seios (no caso de mulheres). As pernas eram afastadas para trás por uma travessa de madeira que fazia com que a cada espasmo causado pelo choque elétrico sua perna batesse violentamente contra a travessa de madeira causando ferimentos profundos.
Água era jogada sobre o corpo completamente nu do torturado o que fazia com que a força do choque fosse elevada ao extremo. Era também comum a prática de espancar o torturado entre um choque e outro.

Telefone - O torturador, com as palmas das mãos em posição côncavaaplica violento golpe, atingindo ambos os ouvidos da vítima a um só tempo. O impacto é insuportável, em virtude da pressão e sempre há o rompimento do tímpano, fazendo o torturado perder a audição.

Afogamento na calda da verdade: Consiste em afundar a cabeça da vítima em um tambor com água, urina e fezes e outros detritos repugnantes. A cabeça da vítima é mergulhada na  ¨calda da verdade’¨várias vezes. Depois o preso político é obrigado ficar sem tomar banho por vários dias e o seu cheiro torna-se insuportável.

Mamadeira de subversivo -  Consiste em introduzir um gargalo de garrafa, cheia de urina quente, na boca aberta do preso, pendurado em um pau de arara. Com o uso de uma estopa os torturadores comprimem a boca do torturado, fazendo-o engolir o excremento.

Balé no pedregulho - A vítima é colocada, descalça e nua, em temperatura abaixo de zero, sob um chuveiro gelado, tendo como piso pedriscos pontiagudos, que chegam a retalhar os pés da vítima. Para amenizar as dores a tendência do preso é bailar sobre os pedriscos e os torturadores ainda fazem uso da palmatória para ferir as partes mais sensíveis do corpo.

Afogamento com capuz - Consiste em afundar a cabeça da vítima, totalmente encapuzada, em córregos de água podre ou tambor d’água poluída. O torturado, desesperadamente, tenta respirar e o capuz molhado se introduz nas narinas, produzindo um mal-estar horrível, levando-o, ás vezes, a perder o fôlego.

Massagem - O preso é algemado e encapuzado e o torturador faz uma violenta massagem nos nervos mais sensíveis do corpo, deixando-o totalmente paralisado por alguns minutos. As dores são horríveis, levando a vítima a um estado de desespero.

E mais: Introdução de ratos vivos nas vaginas das torturadas, ingestão de insetos, empalamento, estupros e cuspes, mutilação dos testículos e unhas e outras torturas inimagináveis para pessoas normais.

Particularmente no Brasil, no período de maior repressão e autoritarismo pela implementação do AI-5 (Ato Institucional  N° 5), no governo de Costa e Silva, continuado em alta na gestão de Emílio G. Médici,  dois personagens se destacaram e se superaram na capacidade de torturar: O delegado Sérgio Fleury e  o Coronel Brilhante Ustra (homenageado e ídolo de Jair Bolsonaro).
Ambos faziam questão de torturar suas vítimas na presença de filhos menores, muitos entre 5 e 10 anos de idade.

Com certeza muita gente, ao ler esse texto, vai negar e dizer que não passa de Fake News, mas posso garantir que se trata da pura verdade, registrada em documentos oficiais do exército.

Era criança e adolescente nesse período, e meu pai, um grande humanista, já major da Aeronáutica, meu saudoso e querido herói,  comentava comigo.

Por isso, nesses 61 anos do golpe militar covarde, é preciso que as pessoas conheçam a verdade de forma mais detalhada.
Não é uma questão ideológica e sim de humanismo. Meu pai não era de esquerda e muito menos eu. Sou progressista e humanista, virtudes que absorvi dele com orgulho.

A seguir, a entrevista com Frei Betto. Assistam sem conceitos PRÉ - DETERMINADOS.

Aproveito a oportunidade para sugerir que leiam também sobre Frei Tito, cearense que sofreu quase todas essas torturas descritas, o que fez com que perdesse a razão após seu exílio na França, pois sempre via a figura de Sérgio Fleury  lhe perseguindo, até que não resistiu mais e se suicidou.

Quero deixar claro minha opinião: O fato de alguém ser criminoso, bandido, terrorista ou... comunista (só imbecil ignorante acredita que existe), não justifica ser torturado da forma descrita,  pela própria condição humana.

Para crime (e criminoso) , é necessário e imperioso que haja castigo (Dostoyévsky), mas não tortura. Neste caso, se houver, a humanidade retorna à condição de barbárie.
  
Marco Antônio Abreu Florentino

Entrevista com Frei Betto:

https://youtu.be/9urkLY6mmlU
(Provocação Histórica - Lindener Pareto entrevista Frei Betto)



  
Marco Florentino
Enviado por Marco Florentino em 04/04/2025
Alterado em 04/04/2025
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