Marco Florentino
Em prosa e verso
Textos
HERÓIS INVISÍVEIS
HERÓIS INVISÍVEIS
(Referência ao documentário ELIZABETH, especificado após o texto)

Que belo documentário e que representatividade grandiosa dessa mulher maravilha, uma super mulher. Lembrei Euclides da Cunha: o sertanejo é, antes de tudo, um forte. Poderia complementar afirmando: e os senhores do poder e do dinheiro, que se acham donos da terra são, antes de tudo, covardes.

Morrem de medo de pessoas simples, pobres e desarmadas mas que possuem a consciência dos seus direitos de ser gente e viverem dignamente através do conhecimento e do saber.

Enquanto assistia, lembrei também de Antônio Gramsci,  um idealista em teoria social, na medida em que passaria a colocar na superestrutura política, e não na base econômica, o elemento determinante do processo histórico. Dizendo assim fica bonito e parece complicado, mas é exatamente isso que os camponeses estavam fazendo e ainda continuam a fazer: lutar por justiça social e pelo direito de sobreviver e viver num pedaço de chão que possa chamar de seu e que lhe proporcione as mínimas condições de vida e bem estar.

Para Gramsci, sob o capitalismo moderno, a burguesia pode manter seu controle econômico permitindo que a esfera política satisfaça certas demandas dos sindicatos e dos partidos políticos de massas da sociedade civil. Mas tem que ser dentro dos seus interesses, das suas vontades. Não pode fugir do controle. E é isso que a educação, a informação e a politização das massas oprimidas causam... a perturbação e alteração da lógica de poder instituída e institucionalizada por uma minoria de canalhas egoístas detentoras do poder. Latifundiários e grandes fazendeiros no caso dos camponeses e industriais e donos da mídia, no caso dos operários das cidades.

Um dos mais eficientes instrumentos de controle é divulgar e espalhar aos quatro cantos, através da mídia e de outros mecanismos de comunicação contemporâneos, como as redes sociais, que tais ações são lideradas por comunistas e que, caso tenham sucesso, vão subtrair nossos bens, terra e moradia para uso coletivo. Se valem da ignorância de grande parte da população carente e ganham, como principais aliados, pessoas da sua própria classe, os chamados pobres de direita. São os que mais lutam em defesa dos seus opressores.

Ora, quem conhece um mínimo de história e tem alguma leitura, sabe que o comunismo do séc. XX, tão sonhado e idealizado por Gramsci, não deu certo, foi um ¨sonho de quimera¨. Mas sabe também que o conceito de justiça social é universal e vai perdurar para sempre, enquanto a criatura humana viver em sociedade. E que o capitalismo dito selvagem, em que pouquíssimas pessoas detém a quase totalidade das riquezas, financeira e material em detrimento duma massa empobrecida e esfomeada, também não dá certo, porque a dialética social é implacável, não perdoa.

Por isso a grandeza e importância de documentários dessa natureza. Morei na Paraíba, visitei Sapé e não conhecia a história de João Pedro e Elizabeth. No meu conceito de valor, autênticos e verdadeiros heróis e não os bravos e destemidos participante do BBB.

Marco Antônio Abreu Florentino

https://youtu.be/j7sfvcPFEe8
si=fm5BaV1qztzyEGRO

Marco Florentino
Enviado por Marco Florentino em 14/02/2025
Alterado em 15/02/2025
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