Marco Florentino
Em prosa e verso
Textos
O ETERNO E A FINITUDE
O ETERNO E A FINITUDE

Mais um ensaio de Oliver Harden que tem tudo a ver com meu pensamento filosófico, mormente porque, com outras palavras e um linguajar mais sedutor, poético e compreensível do ponto de vista filosófico, se refere à fantasia humana do existir para sempre  e a crua realidade da nossa finitude, a qual, somente o ser humano racionaliza, porém, não sabe e nunca saberá quando vai ocorrer, mesmo aqueles que tomam a iniciativa de dar um fim à própria vida, pois não existe certeza de que seu projeto resultará em sucesso.

Encerra brilhantemente seu ensaio escrevendo:  - Somente quando reconhecemos o limite é que começamos a viver com intensidade, conscientes de que o “para sempre” não é um lugar, mas um instante que carregamos no presente.

Portanto, vai de encontro com minha percepção de TEMPO, no qual o momento (instante) é o que deve ser intensamente vivido, sem pressupor passado ou futuro, logo, também sem o presente.

Tal pensamento tem  total influência na analítica existencial de Heidegger, contida na sua obra seminal e fundamental ¨SER E TEMPO¨, a qual trabalhei na minha dissertação (incompleta) de mestrado em filosofia pela UFC.
Marco Antônio Abreu Florentino

VAMOS AO TEXTO DE OLIVER HARDEN:
O “para sempre” é a miragem que dança no horizonte de nossos dias, um eco ilusório que nos conforta e ao mesmo tempo nos engana. É a promessa de continuidade onde há apenas transitoriedade, a fantasia de um tempo que nunca se finda. Mas, na verdade, o “para sempre” é um véu que encobre o abismo da finitude.

Ignorar a hora exata da partida é talvez nosso maior privilégio e nossa mais cruel ironia. Este desconhecimento nos dá a liberdade de agir como se o amanhã estivesse garantido, enquanto o relógio invisível do destino já prepara o instante do adeus.

Vivemos entre o eterno e o efêmero, entre o agora que escapa e o depois que jamais se cumpre.
E, assim, seguimos dançando na corda bamba do tempo, esquecendo que cada passo pode ser o último.

A verdadeira liberdade, no entanto, não está em ignorar a finitude, mas em abraçá-la. Pois somente quando reconhecemos o limite é que começamos a viver com intensidade, conscientes de que o “para sempre” não é um lugar, mas um instante que carregamos no presente.
Oliver Harden

https://youtu.be/S3v5BwH8HUY
(Divertissement - Saint-Preux)






Marco Florentino e Oliver Harden
Enviado por Marco Florentino em 26/12/2024
Alterado em 26/12/2024
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