Marco Florentino
Em prosa e verso
Textos
DESABAFO
DESABAFO

Cheguei aos 64 anos (When I´m Sixty Four) e confesso que cansei. Cansei
de ajudar terceiros, familiares e desconhecidos. Minha vida toda foi
fazendo isso (sou médico desde meus 23 anos de idade). Nessa minha
reta final vou ajudar a mim mesmo.

Voltei a ficar sozinho. Solitário não... jamais me sentirei assim,
pois adoro minha companhia.

Em realidade, cansei de compartilhar minha convivência com gente
pequena, inculta, rasteira, fria e egoísta. Pessoas sem um mínimo de
noção socialista. Pessoas que só pensam em proteger seu quintal. Gente
falsa, que mostra somente aparências.

Adoro de paixão meus filhos e netos, mas reconheço e tenho consciência
de que não sou um pai e avô presente. Mas não tenho nenhum sentimento
de culpa ou coisa que o valha, afinal, sei que cada um deles tem sua
independência e autonomia. A questão familiar, para mim, é secundária.
Antes de qualquer coisa vem a questão individual. Família é
fundamental no seu núcleo familiar... pai, mãe e filhos.

Me separei das mães dos meus filhos (as duas) quando eles já tinham
idade, criação e discernimento para compreender as coisas da vida.

Não quero mais ninguém em minha vida, a não ser eu mesmo. Não preciso
de ninguém para minha estrutura vital. E se precisar depois de velho doente, contrato uma cuidadora.

MAS RECONHEÇO QUE NECESSITO, AFETIVAMENTE, DOS MEUS AMADOS FILHOS, NETOS E POUCOS AMIGOS QUE TENHO.

Estou sendo protestado na justiça por dívidas de IPTU de um apartamento que doei, há mais de 20 anos em divórcio e não fizeram a transferência ou seja, mantiveram em meu nome.

Não tem problema... não vou mais me aborrecer com as pessoas que conviveram comigo numa vida passada tão feliz. Chegaram a dizer quando doei no divórcio, minha parte  dum imóvel de cobertura e de valor significativo, foi presente de grego por ter dívidas de IPTU. Paciência Iracema, paciência.

Nunca as pessoas reconhecem as coisas quando fogem, nem que seja um pouco, dos seus interesses.

Trabalhei muito, mas muito mesmo. Passei inúmeras noites em claro, trabalhando, salvando vidas e minimizando sofrimentos, principalmente de crianças.
Durante mais de vinte anos, compartilhei a atividade médica com a pedagógica, lecionando para nível fundamental e médio em diversas escolas públicas e privadas e também para nível superior (medicina, enfermagem e nutrição- UFRN).

Tudo que ganhei de retorno financeiro, reparti com minhas consortes e filhos.

Mas a vida segue e os cães continuam ladrando enquanto a caravana passa.

Marco Antônio Abreu Florentino
Marco Florentino
Enviado por Marco Florentino em 07/08/2024
Alterado em 03/02/2025
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