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Marco Florentino
Em prosa e verso
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RELICÁRIO DO PASSADO
RELICÁRIO DO PASSADO
(Cartas entre dois primos)

QUEM TE VIU QUEM TE VÊ: UM MÉDICO E FILÓSOFO DE LUTA.
Um dia depois da minha formatura em Geografia resolvi junto com uns amigos da graduação tentar a vida lá para as bandas do Norte, na Amazônia brasileira. Ano de 1987, reencontrei um primo que brincávamos na infância.
Naquela época, estávamos saindo da Ditadura militar implantada após o golpe de 1964, ano que nasci, onde em seguida houve a constituinte e surgiu a Constituição de 1988, chamada de Constituição Cidadã, que hoje, em tempos atuais estão rasgando e pondo fim a Democracia brasileira.
Chegando no Estado do Amazonas reencontrei meu primo médico que trabalhava em um programa de assistência médica às populações ribeirinhas do maior Rio de água doce do Brasil e seus afluentes, o rio Amazonas, ambiente que atuava embarcado em um Navio Escola da Marinha Brasileira.
Embalado na letra da música de Chico Buarque abracei meu primo querido Marco e sua esposa Ana e o samba saiu com festas, alegrias, emoções e paixões, ao ser recebido por ele, Ana e seus dois filhos, Daniel e Gabriel.
Passados os momentos de euforia segui caminho para o território de Roraima, hoje Estado e com sua bela e planejada capital Boa Vista.
Chegando no referido Estado assumi um cargo de professor e que permaneço até hoje no Instituto Federal do Ceará, na cidade do Crato, região do Cariri cearense.
Neste momento, me reencontro com meu primo Marco, médico e residente em Fortaleza, atuando na Caixa, hospitais e atendendo seus pacientes crianças nos consultórios, que por destino da vida cuidou dos meus três filhos, César, Roberto e Gabriela sempre acompanhado de Nídia minha esposa, por ser especialista em pediatria.
Para não me alongar muito, quero demonstrar com essa história às trajetórias de vida e a admiração por ele e sua família, e seus pais tio Florentino e tia Helena, irmã da minha mãe Stela e meu pai Raimundo Abreu.
Hoje o meu primo continua na luta por uma sociedade melhor e mais justa. Um verdadeiro combatente de luta na vida e na profissão que exerce ainda hoje, medicina. O samba continua e a vida segue meu primo. Te amo. Saúde e paz para você e sua família. Gratidão (Prof. Dr. João César Abreu).

RESPOSTA:
Meu amado primo João César Abreu, agora são 01:23 h da madrugada do dia 15/01/2020 e acabei de ler seu sublime e emocionante texto e é com lágrimas que respondo.

Não sei bem se pela idade, afinal em Fevereiro estamos (eu e você) virando mais um ano cronológico (eu, particularmente, chegando tecnicamente na velhice - 60 anos) ou se pelo conhecido aforismo ¨confesso que vivi¨... ou vivemos, o fato é que essas passagens que envolvem nossas vidas, mormente pelos confins da Amazônia, estão gravadas na minha memória como marcas de um tempo longínquo que testemunhou o ímpeto de jovens idealistas que acreditavam num mundo mais justo e igualitário, seja pelos caminhos da luta política ou pelas ações duma batalha social que tinha como guerreiros, jovens que acreditavam ser possível a transformação da sociedade pelo viés da educação e da consciência do povo na força das suas possibilidades enquanto seres sociais.

O tempo passou e sinto que ocorreu uma regressão, porém, ainda longe de achar que nos entregamos. Acho que se trata de um momento dialético hegeliano de antítese, que espero passar logo, para que venha a síntese de uma fase renovadora e progressista, onde os valores humanos superiores de igualdade, fraternidade e liberdade prevaleçam e se tornem duradouros.

Tenho em minha memória, como um filme que permaneceu intacto, onde fomos os principais protagonistas, os momentos de alegria, emoção, medo, coragem, tristeza e sublimação, com a força da juventude e da fé no homem, no bem e no justo... por que não dizer em Deus? Sim, é com essa fé que vi você embarcar sozinho, na rodoviária de Manaus, naquele ônibus com destino a Boa Vista, rumo ao desconhecido, sem ninguém e sem parentes importantes, vindo do Ceará de Belchior que cantava: ¨Faz tempo muito tempo que eu estou longe de casa¨.

Hoje podemos afirmar que vencemos nossa luta interna, mas a guerra continua, você como educador de alto nível e eu como um operário da saúde, sempre tendo como referencia o bem estar do nosso povo, principalmente os menos favorecidos.

Muito obrigado pelas belas palavras e espero nos encontrar pessoalmente numa mesa de bar com toalhas quadriculadas, pra uma cerveja, aliás, uma não, todas, para que possamos relembrar tanta vida vivida nesse tempo atemporal. Te amo.

Marco Antônio Abreu Florentino

https://youtu.be/WYqbnmcesjU
(Tudo Outra Vez - Belchior)
Marco Florentino
Enviado por Marco Florentino em 15/01/2020
Alterado em 11/02/2020


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