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Marco Florentino
Em prosa e verso
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SOBRE NECESSIDADE E CONTINGÊNCIA EM HEGEL
SOBRE NECESSIDADE E CONTINGÊNCIA EM HEGEL

            De volta à velha noção de necessidade e contingência a que tenho me referido há muitos e muitos anos nas relações humanas, só que dessa vez através da discussão brilhantemente colocada por Zizek neste artigo primoroso e de profunda reflexão, a qual envolve a noção de substância e sujeito como determinantes do movimento dialético hegeliano para a compreensão da verdade ou, como queira Hegel, do absoluto.

            A forma como expõe sua reflexão sobre a ¨ruína¨, claro que aqui referida como processo de desaparecimento de civilizações, me faz pensar em Heidegger no seu conceito de ¨queda¨ na concepção ontológica do ser, fazendo-nos acreditar numa forte influência de Hegel na filosofia Heideggeriana, apesar de que, neste caso, em sua ¨Filosofia da História¨, Hegel relaciona o ato de desaparecer e deixar para trás ruínas, ao advento da História e, portanto, evidência de um processo profundo de transformação, a qual , em última análise, seria o surgimento da própria História.

            Quanto à noção de necessidade e contingência, fica notório a diferença da aparência externa, enquanto contingente, para a essência interior como necessária quando ele próprio afirma: ¨A auto interiorização da aparência por meio da autorreflexão, não está descrevendo a descoberta de uma essência ou verdade interior preexistente, algo que já estava aí, mas um processo performático de construir (formar) o que é descoberto. Portanto, não é só a necessidade interior que é a unidade do si e a contingência como seu oposto. Se considerar necessariamente a contingência como seu momento, a abrangente unidade de si é também a contingência, sendo o seu oposto, a necessidade. Em outras palavras, o processo pelo qual a necessidade surge da necessidade é um processo contingente¨.

            É realmente um artigo fascinante de algo que, longe de ser um pensamento puramente abstrato, faz parte do nosso cotidiano humano de forma muito mais frequente do que possamos imaginar.

            Valeu e obrigado Gabriel Florentino. Artigos como este nos faz manter ativos no exercício da reflexão filosófica, apesar do longo afastamento acadêmico e, dessa forma, nos ajuda a afastar o velho e temido alemão que tanto afeta os idosos.

Marco Antônio Abreu Florentino

OBS: Comentário à postagem (enviada pelo meu filho Gabriel Florentino) do artigo intitulado: ¨REFLEXÃO COMO RETROATIVIDADE: NOTAS SOBRE A FILOSOFIA DE HEGEL PELAS LENTES DE SLAVOJ ZIZEK - por Ramon Oliveira da Silva Leite (mestrando do Programa de pós-graduação em Filosofia da UFRJ. E-mail: ramonoliveira.dsl@gmail.com) e Wellington Lima Amorim (Dr. em Ciências Humanas - Universidade Federal do Maranhão/Universidade Federal do Rio Grande do Sul. E-mail: wellington.amorim@gmail.com), publicado pelo site LAVRA PALAVRA (lavrapalavra.com), cujo resumo apresento a seguir:

            ¨O presente artigo busca interpretar as razões pelas quais o filósofo esloveno Slavoj Žižek, em seu resgate da filosofia hegeliana, utiliza o conceito de retroatividade como ponto central de sua reinterpretação de Hegel. Para tal, é preciso questionar se no próprio Hegel há espaço para justificar a importância da retroatividade como sendo o cerne de sua dialética. A reflexividade como retroação abriria o caminho para uma compreensão peculiar da tese hegeliana da substância como sujeito, desfazendo certos lugares comuns da filosofia de Hegel – a relação entre necessidade e contingência, a especificidade da reconciliação dialética e o momento do Saber Absoluto.¨
Marco Florentino
Enviado por Marco Florentino em 03/10/2019
Alterado em 03/10/2019


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